sábado, 5 de dezembro de 2009
Há quase 3000 sem-abrigo em Portugal continental
Financiado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica (PO/AT), este estudo integrou duas fases. A primeira, realizada em 2004, procurou uma definição conceptual da temática sem-abrigo. A segunda, feita já no final do ano passado, tentou obter uma análise abrangente da situação dos sem-tecto residentes em Portugal.
Em 2004, foram identificadas 273 pessoas esporadicamente a dormir na rua ou num albergue "devido a pressão intensa no universo familiar", 296 esporadicamente sem abrigo "devido a problemas de foro psiquiátrico ou dependência", 489 com alojamento (casa ou pensão) mas incapazes de o manter sem ajuda dos serviços sociais, 1044 a pernoitar em espaço aberto, 170 em centros de acolhimento, 330 em casas abandonadas ou barracas e 115 em arrumos, carros abandonados, varandas cedidas...
Conforme explicou o presidente do ISS, Edmundo Martinho, na segunda fase, houve um "afunilamento" para a forma mais severa: a população que vive sem-tecto e sem apoio institucional. Uma noite, o ano passado, cerca de 700 técnicos e voluntários (da Segurança Social e de diversas instituições de solidariedade) andaram pelas ruas dos diversos concelhos do território continental a inquirir todos os indivíduos que encontraram a dormir ao relento ou em espaços públicos.
Três quartos são portugueses
Naquela noite, 524 pessoas responderam ao inquérito por questionário - 57 inquéritos foram anulados por corresponderem a pessoas que dormiam em casas abandonadas, centros de abrigo, roulottes ou em sua casa ou parte da casa. A ruptura familiar (conflitos, separações, divórcios e falecimentos) encabeça a lista de problemáticas associadas à situação de sem-tecto (25 por cento), logo seguida pelos problemas de saúde (23 por cento) relacionados com a toxicodependência, o alcoolismo, a doença física ou mental. O desemprego representa 22 por cento e a habitação sem condições e a dívida da casa outros 17.
Edmundo Martinho foi surpreendido pela territorialização das problemáticas - a maior parte dos sem-abrigo do Porto têm menos de 39 anos e são toxicodependentes, já em Lisboa predominam os indivíduos com mais de 50 anos e com consumos problemáticos de álcool. O presidente do ISS também não esperava tamanha expressividade da nacionalidade portuguesa (75 por cento).
Estes recenseamentos levantam sempre "algumas dificuldades", até porque muitos sem-abrigo não possuem documentos, nota Edmundo Martinho. Pode haver contagem dupla. O estudo "deve ser aprofundado" para haver uma "noção exacta" da realidade e melhor direccionar as intervenções. Para já, sublinha: "Temos de ser capazes de encontrar soluções no domínio da saúde, obviamente com a participação activa da Segurança Social." E considera que novo Plano Nacional de Acção Para a Inclusão "deve ter medidas" nesta área.
Só 11 por cento trabalham
Existem tipologias. Há sem-tecto "crónicos", que "vivem muitos anos na rua em situação de exclusão social (debilidade física e mental)", e novos, que se encontram "há pouco tempo na rua na sequência de múltiplas perdas (profissionais e familiares)". Seis por cento nunca trabalharam (jovens com menos de 30 anos), 11 por cento trabalham (imigrantes) e 82 por cento já foram activos (operários, artífices, serviços, trabalho não qualificado) mas estão desempregados.
Os inquiridos evidenciaram uma trajectória profissional "de grande instabilidade e precariedade de vínculos contratuais". Apenas um terço tinha uma situação mais estável que perdeu devido a dependências (droga/álcool) ou a rupturas familiares. A maior parte (85 por cento) não teve direito a subsídio de desemprego. Apesar da inactividade, três quartos não estavam inscritos no centro de emprego.
Como sobrevivem? Sobretudo, através de actividades pontuais (58 por cento). Uma pequena parte aufere de rendimentos do trabalho (seis por cento), de pensões (oito por cento), de prestações sociais (sete por cento) ou outras (oito por cento). Doze por cento alegaram não ter qualquer tipo de rendimento. "Vivem em situação de isolamento social devido a quebra de laços familiares e sociais" (70 por cento vivem sozinhos e 14 por cento com outras pessoas em igual situação).
Fonte: Jornal Público
Concentração de gases com efeito de estufa aproxima-se do pior cenário
A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera está a atingir os níveis do cenário mais pessimista elaborado pelos cientistas, avisou hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a três semanas do início da cimeira de Copenhaga para negociar o sucessor do Tratado de Quioto.
A concentração de dióxido de carbono (CO2) em 2008 era de 385,2 partes por milhão (ppm), com um aumento de 2 ppm em relação ao ano anterior, continuando uma tendência de aumento exponencial", diz um comunicado de imprensa da OMM.
“As notícias não são nada boas: a concentração de gases com efeito de estufa continua a aumentar, e a um ritmo até um pouco mais rápido”, disse o secretário-geral desta agência das Nações Unidas, Michel Jarraud, citado pela AFP.
A concentração de dióxido de carbono (CO2), que é o principal gás com efeito de estufa e com relação directa com a actividade humana, aumentou 38 por cento desde 1750, quando se iniciou a Revolução Industrial. Contribui em 63,5 por cento para o aumento do efeito de estufa na atmosfera mas, segundo as medições da OMM, nos últimos cinco anos essa contribuição passou para 86 por cento.
“É preciso agir o mais rapidamente possível”, disse Jarraud. “Estamos a aproximar-nos do cenário mais pessimista dos traçados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Governamentais”, o grupo de peritos que trabalha sob a alçada das Nações Unidas para recolher e analisar tudo o que os cientistas conseguem saber sobre o aquecimento global, para fazer documentos de síntese, para apresentar aos políticos mundiais.
O metano, cuja concentração na atmosfera permaneceu estável de 1999 a 2006, “aumentou claramente em 2007 e 2008”, embora não estejam claramente determinadas as causas desse aumento. Mas é certo que 60 por cento das emissões deste poderoso gás com efeito de estufa são de origem humana (por exemplo, devido à criação de gado ruminante, ou à exploração de combustíveis fósseis).
Por outro lado, enquanto os gases que danificam a camada de ozono (os chamados CFC, sigla de clorofluorcarbonetos) vão diminuindo lentamente na atmosfera, depois do seu uso ter sido banido pelo Tratado de Montreal, vai aumentando a concentração dos gases que os substituíram – e que fazem aumentar o efeito de estufa. Estes contribuíram em 8,9 por cento para o fazer crescer, entre 2003 e 2008.
Fonte: Jornal Público, 23 de Novembro de 2009
Sobre o Jornal Moderno
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Jantar dos sem-abrigo
O jantar dos sem-abrigo ocorre todos os anos em Dezembro na cidade de Lisboa. Este evento tem tido sucesso tal como o Banco Alimentar e gostaria de apelar à vossa ajuda para os sem-abrigo terem um Natal mais feliz. Através da Comunidade Vida e Paz podem ajudar, dando donativos ou até mesmo voluntariando-se.
Deixo-vos então um excerto do site desta comunidade e faço um apelo para que o visitem e contribuam : "No ano passado, cerca de 34% dos voluntários eram pessoas que já tinham estado na FNSA noutros anos, e mais de metade foi com amigos. Duma forma geral, ficaram satisfeitos com a sua experiência no evento e mais de 83% manifestou intenção de voltar. Estes dados foram recolhidos através dum inquérito de satisfação que analisou ainda algumas atitudes face ao voluntariado, permitindo concluir que o evento acaba por ser uma das formas pelas quais estes cidadãos impactam o mundo à sua volta, e uma maneira de conhecer outras pessoas interessantes que também consideram o voluntariado parte essencial da cidadania.
Este ano, o evento decorre nos dias 18 a 20 de Dezembro de 2009, na Cantina 1 da Universidade de Lisboa, e a organização - feita por voluntários e com o apoio da Direcção - espera contar com cerca de 2800 convidados e 1000 voluntários no staff. Serão confeccionadas (com o apoio do Exército Português) e servidas cerca de 4500 refeições quentes e 5000 ceias, pelo que as principais necessidades são ao nível dos alimentos. Na próxima visita ao supermercado, lembre-se deste momento especial que queremos proporcionar a quem tem tão pouco - partilhe a sua despensa connosco!
Pode entregar os seus donativos ou enviá-los (pela Embalagem Solidária dos CTT) para a nossa Sede:
Comunidade Vida e PazRua Domingos Bomtempo, 71700-142 Lisboa"
Site da Comunidade Vida e Paz: http://comvidaepaz.blogspot.com/
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Tema do mês de Dezembro, os sem-abrigo
Entramos no mês de Dezembro, o mês dedicado aos sem-abrigo. E como tal achámos por bem começar por explicar o que é um sem-abrigo. Um sem-abrigo é uma pessoa que não possui morada fixa sendo a sua residência os locais públicos de uma cidade. É vulgar associar a figura de um sem-abrigo a um mendigo, o que nem sempre é verdade pois nem todos os mendigos são sem-abrigos.
Os sem-abrigos são um problema social que representa uma parte significativa da população de vários países, a percentagem de sem-abrigos é um indicador de desgaste ou de más condições económicas.
Existem actualmente 3000 sem-abrigos em Portugal continental, e estudos feitos pela AMI forneceram-nos dados como: 32% da população sem-abrigo dorme na rua, 22% em albergues e 8% em barracas e que o recurso económicos mais usual é a mendicidade(27%) seguindo-se dos subsidios do estado(22%).
Problemas como a ruptura familiar, a toxicodependência, o alcoolismo estão na base da mendicidade portuguesa.
Tal como toda a turma, pois foi um dos temas votados, nós valorizamos bastante este tema uma vez que é uma pobreza á qual contactamos todos os dias e pensamos que muitas vezes os sem-abrigos são injustamente julgados, e por isso vamos tentar esclarecer todas as questões associadas aos sem-abrigo. Será uma opcção? Todos os sem-abrigo são toxicodependentes?
Se tiverem opinião formada sobre este assunto por favor partilhem e defendam a vossa opinião!!!!
Afonso, Antonio, Francisco, João e Marta